12.02,2007:

- Carnaval e a cidade quase paulistana
Enfim Carnaval! Não posso não lembrar da canção do Pato Fu que dizia assim: “Eu não gosto dos G.R.E.S; Mas em fevereiro; Tenho que suportar os G.R.E.S.; O carnaval; Com seu espírito de festa; Suas cabrochas na avenida; churrasquinho podro; É uma imposição absurda...” Não que não goste de Carnaval, talvez o problema é a não possibilidade de escolha. A cidade fica não tão cheia, e para mim assim melhor, entretanto, as peças teatrais não conseguem competir, e logo não permanecem em cartaz na semana fatídica. A cidade que se manifesta por suas incursões culturais, derrete-se para o Carnaval (também ele uma festa cultural) num tom exagerado que é longe, muito longe mesmo, de ser o Carnaval stricto senso. Não dá pra encarar, não sou forte assim, alias nunca fui forte. Mas, no Carnaval, se perguntarem por mim, diz que fico! Fico na cidade quase paulistana (é assim que eu a sinto no Carnaval). Não quero mais falar, não quero não seguir o que eu quero, na falta de opções, vou seguindo com esse meu texto carregado de “não”. Não é mesmo?

por MJ.


10.02.2007:

- Estudando Física
Minha área de atuação é a humanidades. Mas nada como visitar outra das áreas do saber de vez em quando. Por exemplo, toda semana entro nas Exatas, mais exatamente na Física. Meu estudo versa sobre força, velocidade, espaço percorrido, aceleração. V = V inicial + a.t. Estudo as bolas, que entram em choque com outra e esta adquire a velocidade da anterior, que por sua vez passa ao estado da bola inicial, ou seja, velocidade nula. Meu estudo é mais prático que teórico. Alguns o chamam de sinuca. Mas eu ainda prefiro Física. Alguém se arrisca na Física comigo?

por LRP.

06.02.2007:

- Pelas Tabelas
Andava pela rua. Fulminante. Sem olhar para os lados. Rápido. Passo após passo. Destino na mão. Andava. Pensava. Coçava. Andava. Rápido. Fulminante. Sem respirar. Mãos suadas. Andava. Ventos, poeira. Calçada, relva, areia. Andava. Sem olhar para os lados. Cheguei. Parado. Não paro. Cansado. Ando. Penso. Penso. Ando.

por MJ.

03.02.2007:

- King Kong ou a ferida escancarada
King Kong 2005, a refilmagem de um grande sucesso de bilheteria (o que não influi em nada em sua qualidade) dos anos 70. A história todos conhecem, logo um remake feito apenas para apreciarmos os efeitos especiais. Sobretudo pelo histórico do diretor que vinha de uma grande trilogia (Sr. dos Anéis) competente nesse requisito. Mas o que vejo é uma ferida descortinada neste filme. Ele é feito em um momento anterior às torres gêmeas. Se olharmos para o filme de 70, Kong escala o World Trade Center. Se Jackson optasse por fazer um filme nos dias de hoje, Kong igualmente (como o Kong de 33) teria de subir o Empire States (já que as torres..., bem sabemos das torres) e aquele vazio, o vazio cheio de pus da dor americana estaria desvelada mais uma vez. O que se faz então é tampar a ferida, e assim, ela fica escancarada para quem quiser vê-la.

por MJ.

28.01.2007:

- A fidelidade, a imagem da cultura
O que é a fidelidade? Nosso oráculo tenta mais uma vez responder: “Qualidade de fiel; lealdade”. Tudo bem, partirei do pressuposto que fiel todos sabem, assim não precisamos ir mais uma vez à Delfos consultar o oráculo. O homem que cumpre aquilo que se obriga é o homem da cultura. Pensemos um pouco no homem pré-histórico (credo, sem escrita não se tem história, que coisa medonha, como o estudamos?), ele certamente não se vangloriava por ser fiel, pois isto não existia. Mas, cumpria seus instintos, e o instinto diz outra coisa, inversa diga-se de passagem, da fidelidade. Mas, a cultura que adestra o homem encarregou-se de lhe pôr um outro recalque e... e bom, queiramos ou não em algum momento somos fiéis, e a sociedade nos cobra por isso que ela criou.

por MJ.

27.01.2007:

- Os Mutantes do presente
Não, não estamos na década de 60 ou 70, e também não é como retornar àquele tempo. Sim, Os Mutantes estão de volta, mas insisto, não “é como se voltássemos no tempo”. O tempo (sobretudo depois de Proust) é algo muito peculiar, as sensações, os sabores, as impressões, ou seja, todo o agenciamento dessas coisas e muitas outras que acontecem a todo segundo não é passível de retorno, é evidente que podemos lembrar, recordar até mesmo ao ponto de cometer desvarios de sentir um cheiro que não há ou escutar uma música que não está tocando, mas isso é longe, muito longe de como se voltássemos no tempo. Basta piscar, olhar ao redor e pronto. Mas, felizmente há a fantasia, que tudo pode mudar, inclusive o tempo.

por MJ.

- Ah, o poder...
O poder é algo destruidor, pois, quando se chega a ele, a maior preocupação que se tem é a de mantê-lo. Parece contraditório, mas é o curso natural das coisas: todos querem chegar ao poder, para tanto, precisam tirar quem lá está e quem lá está quer se manter onde está. O resultado disso tudo é uma competição acirrada, em que todas as armas podem ser usadas. Quando se trata de poder político, a situação é mais drástica ainda, pois pode enveredar para ações de violência e coação, ou atitudes escamoteadas mas que tenham fins autoritários. Cansamos de ver isso no século XX, em toda a história humana. Quando dizem que o poder corrompe, portanto, acreditem. O socialismo tentou consertar isso, não conseguiu. O capitalismo, ao contrário, só o intensificou. Falta testarmos o anarquismo. Quem se habilita?

por LRP.

24.01.2007:

- O grande invento do homem
Qual a maior invenção do ser humano em toda sua história? Seria a roda, que criou atalhos espaço-temporais para qualquer locomoção? Ou seria o fogo, que ajudou a cozer alimentos, espantar o frio e outros predadores? Talvez a escrita, que abriu brecha para o acúmulo e transmissão do conhecimento? Quem sabe a instrumentalização da natureza em objetos para auxiliar na caça, coleta e defesa de território? Não, nenhum deles é o grande invento do homem. A maior invenção humana foi DEUS.

po LRP.

23.01.2007:

- Deslumbramento
Nosso amigo oráculo responde: "Fascinação, encanto, maravilha". Ou seja, deslumbrar-se é algo impactante e inebriante. É o estado em que muitas vezes me encontro ao ler um livro que não esperava muita coisa. Como no último agosto, do qual tive o gosto de ler Desvarios no Brooklyn. Eu realmente não lograva atenção ao Sr. Auster, até que um amigo ressaltou as qualidades deste americano. Precisamos baixar as guardas, e olhar mais para o horizonte, de olhos bem fechados é mais difícil deslumbrar-se. O mesmo ocorre com artes plásticas, mas ali, um pouco mais vacinado, tento subir nas árvores, tal qual o Barão nas Árvores de Calvino, e apreciar com um pouco mais de deferência, assim também os menores e as pequenas são revistos.

por MJ.

22.01.2007:

- Ler e se isolar
Ler é um ato de isolamento. Quando pegamos um livro e passamos a lê-lo, nos isolamos dos chatos que andam por aí, mas não dos chatos sem “simancol”, que insistem em despertar-nos de nosso exílio voluntário. Antes de dormir, tenho certa necessidade da leitura. Não para me isolar do mundo exterior – ainda estou sozinho para dormir – mas sim do meu mundo interior. O mais importante da leitura é o isolamento que fazemos de nós mesmos. Aquele tempo em que visitamos outros mundos, seja o de Philip Roth, Milton Hatoum ou do ainda bom e velho Cony, para citar meus últimos anfitriões, nos afasta de nossos próprios fantasmas. Mas é só momentaneamente, pois, quando apago a luz, sinto meus fantasmas de volta a me rodear, assoprando no ouvido meus maiores medos e obsessões.

por LRP.

20.01.2007:

- Chocolate, o ritual
Como é possível alguém escrever, traduzir, pensar ou ler sem chocolates? A resposta é simples: não é possível! A história do chocolate remonta mais ou menos 1.500 anos A.C. Ali era usado como ritos religiosos, pois era considerado o alimento dos deuses. Comigo não é diferente, continua sendo um uso ritualístico, ponho meu tablete ou bombom do lado direito do livro ou teclado e a coca-light do lado esquerdo. Vagarosamente deixo que o chocolate ganhe a boca pela saliva até que ele se transforme num poderoso fruto que engendra o pensamento liberando as idéias. Um elemento eficaz, que muito antes de nós, Olmecas, Maias, Toltecas etc. já se deliciavam com tal alimento mágico.

por MJ.

19.01.2007:

- Circuladô de Fulô
Ultimamente é uma idéia que está me influenciando muito, seja cantada por Caetano ou lida por Haroldo. De alguma forma me leva para outros patamares; pensamentos que remetem ao infinito, ao retorno, algo circular. Neste último mês, uma amiga foi alvo dessas inquetações, aproveitei que prometi escrever-lhe uma carta para indicar o circuladô de fulô, a roda da fortuna ou o catavento ou o girassol, etc.

por MJ.

- O Leopardo
Ver um quadro e não vê-lo. Observar um homem à beira da morte e familiares ao redor em desespero, mas de fato o que se enxerga ali é apenas a própria morte. Eis o lance final do filme O Leopardo, de Luchino Visconti, em que o Príncipe de Salina, o tal Leopardo do título, deixa o salão do baile e vai descansar na biblioteca. É ali que ele tem o encontro com o quadro, com a morte, com sua própria morte. Tal qual um jazigo, o personagem do filme viu um quadro, mas foi a morte que olhou pra ele. E ele encarou, tanto que ao final, no caminho de casa ao amanhecer andando pela rua, declama sua ode de morte às estrelas...

por LRP.

18.01.2007:

- "Branca Branca Branca, Leo Leo Leone"
"Sono Brancaleone da Norcia!". Hoje é dia de Brancaleone, o grande clássico de Mario Monicelli, um filme inesquecível que revejo com muita freqüência. Não sei de onde veio, mas acordei com o cavaleiro da Norcia resmungando, pedindo para que fosse revista a cena na qual o Padre clama pela travessia numa ponte precária, o final dessa cena já sabemos... aliás, deixa eu atender o Branca que ainda me chama...

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por MJ.