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Poesia
Trífida ou o Eremita, a Temperança e o Mago
Nos
encontros inesperados que somente a vida pode oferecer, nasce
um vínculo. E deste, um convite. E assim Magali está
entre nós. Mas, ainda mais estonteante é a ligação
que se faz entre o trabalho dela com o dos que já estavam
mundando.
Há um silêncio roendo em mim um espelho
Há um espelho morando em mim por dentro
Há um de dentro que em mim passeia
Há um passeio que eu não faço
Uma embarcação onde meu cão não
entra
Um outro que em mim se vira
E um gato que fica à espreita
Há
um caso que causa espanto
Há um desejo de ter só vontade
Um colo que solidário atormenta
Um desprezo que a solidão rejeita
Gelo, cinzel e uma precaução de gaveta
Um outro que em mim se encanta
Com um outro que viajou de volta
Há
uma janela que me dá trabalho
E um trabalho que não me prende
Há um dormir que vem com sorte
E um dia de tomar sorvete
Há
uma intuição de que não há nada
Três rostos que em mim são vários
Um outro que chacoalha a morte
De um outro que não derrete
Magali
Gallello, Março/2004

Noites
e dias
Muitos
dias a pensar,
Insônia para não sonhar.
Muitas noites a rezar
Para você me amar.
Muitas noites a ter
Insônia para te ver.
Muitos dias a querer
Sonhar em te rever.
Muitos dias a te seguir
Para poder sorrir.
Muitas noites a pedir
Para você vir.
Lucas
Pires, Fevereiro/1997
Por
aí
Nos
parques, nos bares, nas lajes
Por lá ele passeia
Nos becos, trejeitos, ele rasteja
No orvalho, na fuligem sem bagagem
Por lá ele “camela”
Nos
cipós, nas tendas, na camaradagem
Por lá ele se vira
Nos seios, nas coxas, nas bocas, ele anseia
Na alma, na carne, na veia
Por lá ele se cala
Martinho
Junior, Dezembro/2006
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