outras textas:
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29.03.2007:

- A vidência do avesso
Às vezes penso que sou vidente, uma espécie de paranormal. Talvez sejam reminiscências da infância que ainda é nostálgica (momento em que eu acreditava que com a força do meu pensamento podia fechar portas e aproximar copos e chocolates de mim). Mas há controvérsias, ontem, por exemplo, fiz algo que não se deve e abri o jogo de tarô para mim mesmo (o que equivale a um terapeuta atender um ente muito próximo e querido). Mas enquanto tentava decifrar a combinação respeitando as latências de cada imagem, logo percebi que o jogo se enganara e que a resposta era outra. Antevi o erro do tarô; minha resposta era muito melhor, mais sadia: caminhos certos e tranqüilidade nas dificuldades. Dizem que eu vejo apenas aquilo que quero, porém aquilo visto não me parece mentira, se eu vejo, ou penso, ou penso que penso, em alguma instancia, próxima ou distante trata-se de uma verdade, nem que seja o seu avesso.

po MJ.

28.03.2007:

- Eterno vs. Imortal
Hoje me perguntaram se eu era eterno. Evidentemente que respondi “não!”. Entretanto, se a pergunta fosse “você é imortal?” eu não saberia responder. Para responder eu precisaria antes morrer, até esse dia acontecer não posso categoricamente falar se sou ou não imortal, certeza absoluta não posso ter; e também não sinto vontade em testar. Mas a pergunta “você é eterno?”, é um absurdo maior do que minha explanação sobre a imortalidade. Já que a diferença um do outro consiste na pressuposição de que o primeiro possui um “desde sempre”, e pelo que me foi dito, meu ponto inicial se dá no dia 3 de agosto de 1979, logo não sou eterno. Por isso que quando nos referimos a algumas entidades divinas dizemos eterno: sempre existiu e sempre existirá. Não tem começo ou fim. E eu, um simples não eterno, quando abandonar nosso mundo, voltarei para me certificar e para avisar que não sou imortal, mas alma conta?

po MJ.

16.03.2007:

- Encontro Marcado
Acabo de ler O Encontro Marcado, de Fernando Sabino. Interessante notar como as grandes histórias são histórias de derrotas. Eduardo Marciano, mais um solitário na multidão, derrotado na vida pela procura incessante de algo que não lhe foi possível decifrar – seria a tal dita felicidade? Enfim, fato é que sua procura, que se confunde com sua trajetória de vida, é uma seqüência de perdas e saudades. Porres e melancolia. Literatura e burocracia. Desejos e acomodação. Intenção e imobilidade. Do tempo passado permanece a memória, que ele enxerga nele uma espécie de utopia de vida. Seria o passado, o tempo do impossível já que já transcorrido, o sonho inatingível do homem? Estará lá a utopia humana? Parece ser essa a gênese de O Encontro Marcado, a derrota como condição de vida, a batalha já perdida. E nada mais próximo disso do que o passado como anseio presente. Em certo momento, quando em Belo Horizonte para rever seu passado, Eduardo encontra Hugo, amigo de infância e juventude, e ouve dele o seguinte: “Não blefe. Jogue todas as cartas na mesa. Não fuja. Não tenha medo de perder. Nada mais digno do que, tudo feito, depois que não se poupa nada, saber dizer: perdi. Porque essa é a grande verdade: perdemos sempre...”

po LRP.

06.03.2007:

- Eita Contradição
Como é que pode inibir paralisações? Olhando de relance não há nada de estranho, contudo trata-se daquele mesmo Lula, que tanto brigou para que tivessem o direito da paralisação; da voz operária como forma de apreensão dos direitos. Eita contradição.

po MJ.


05.03.2007:

- “O verão tá bombando”
Estamos colado ao dia internacional da mulher, e ainda somos obrigados a conviver com propagandas de cunho machista e de muito mau gosto. Impressionante como tudo é jogado pela janela com rapidez e eficácia em nome de uma imagem distorcida tanto do homem como da mulher. Já que o importante, segundo um publicitário amigo meu, “é fixar na mente do receptor”, sem muito se importar como e o que é veiculado. Recentemente fiz uma tipologia de tais propagandas (um dia ponho no cerebrar) para afirmar o já sabido, com poucas exceções, tanto o homem como a mulher, seguindo estas propagandas, estão fadados à mediocridade e à indolência.

por MJ.


textas da primeira edição:

12.02.2007:

- Carnaval e a cidade quase paulistana
Enfim Carnaval! Não posso não lembrar da canção do Pato Fu que dizia assim: “Eu não gosto dos G.R.E.S; Mas em fevereiro; Tenho que suportar os G.R.E.S.; O carnaval; Com seu espírito de festa; Suas cabrochas na avenida; churrasquinho podro; É uma imposição absurda...” Não que não goste de Carnaval, talvez o problema é a não possibilidade de escolha. A cidade fica não tão cheia, e para mim assim melhor, entretanto, as peças teatrais não conseguem competir, e logo não permanecem em cartaz na semana fatídica. A cidade que se manifesta por suas incursões culturais, derrete-se para o Carnaval (também ele uma festa cultural) num tom exagerado que é longe, muito longe mesmo, de ser o Carnaval stricto senso. Não dá pra encarar, não sou forte assim, alias nunca fui forte. Mas, no Carnaval, se perguntarem por mim, diz que fico! Fico na cidade quase paulistana (é assim que eu a sinto no Carnaval). Não quero mais falar, não quero não seguir o que eu quero, na falta de opções, vou seguindo com esse meu texto carregado de “não”. Não é mesmo?

por MJ.


10.02.2007:

- Estudando Física
Minha área de atuação é a humanidades. Mas nada como visitar outra das áreas do saber de vez em quando. Por exemplo, toda semana entro nas Exatas, mais exatamente na Física. Meu estudo versa sobre força, velocidade, espaço percorrido, aceleração. V = V inicial + a.t. Estudo as bolas, que entram em choque com outra e esta adquire a velocidade da anterior, que por sua vez passa ao estado da bola inicial, ou seja, velocidade nula. Meu estudo é mais prático que teórico. Alguns o chamam de sinuca. Mas eu ainda prefiro Física. Alguém se arrisca na Física comigo?

por LRP.