18.05.2007:
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Morango
Toda vez que visto minha camisa pólo vermelha
com listras brancas me lembro de Morango. Calma, não
tem nada a ver com a cor da camisa. Mas quando a comprei a vendedora
disse que se chamava Morango. Primeiro, eu pensei que fosse
apelido (isso não acontece apenas comigo), depois me
perguntei se não se tratava de um nome masculino. Peguei
a camisa da mão de Morango e fui pra casa. De lá
para cá, sinto até o perfume de Morango quando
a visto; adoro Morango. Naquele dia devia ter comprado Morango.
por
MJ.
17.05.2007:
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Adeus
Nada substitui o lápis. Podem inventar lapiseira,
caneta, tinteira, com gel, sem gel, roller, até de tinta
de ouro... Nada como o velho lápis, que com o tempo vai
diminuindo de tamanho. Sim, aquele pedaço de madeira
com grafite dentro, aquele tronco que você vai apontando
sempre que a ponta arredonda demais... O grafite afinado é
o grande prazer dos escritores a lápis. Mas também
gosto de acompanhar sua vida útil. Cada apontada é
tempo de vida a menos para ele. Quando se torna menor que a
altura da mão é sinal de ser a hora de dizer adeus.
Como a morte é triste, mesmo de um simples lápis,
companheiro de palavras e confissões. Quanta memória
e história encerram-se com ele. Estou de luto hoje.
por
LRP.
16.05.2007:
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Corpo e exposição
Finalmente fui à exposição do
Corpo: "Corpo humano: real e fascinante". É
esquisito que toda a exposição tenha um caráter
didático. Quando entramos na exposição
os corpos lá dispostos estão como se mostrando.
Sejamos mais claros. Para começar há um moldar
os corpos, que se mostram como 'esculturas'. Muitas vezes, quando
vemos os corpos em determinadas posições, temos
a nítida impressão de que eles estão realmente
se expondo, como se falassem "vejam aqui meu pulmão"
ou "olhem meu sistema nervoso". O debate ético
ou artístico deu espaço unicamente para o debate
didático. Não que não tenha pertinência,
mas acredito que ultrapasse e muito a restrição
em tal debate. O que vemos quando vamos a esta exposição?
Corpos reais? Não sei se posso dizer real, já
que foram extremamente alterados, de maneira irreal, mas é
inegável não ver vida que ali houve e ouve; também
não posso negar o lado expositivo, das artes, para onde
a exposição muitas vezes acena. Quando estava
indo embora, vi camisas sendo comercializadas, uma delas tinha
a estampa de um corpo, ou melhor, sua estrutura de músculos,
virado de costas segurando uma bola: acho que resume as aflições
que continuam na surdina nesta exposição.
por
MJ.
14.05.2007:
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Cansei de ser eu
Sim, eis a sensação que me envolveu nesse
dia das mães. Cansei de ser eu, de ser o LRP. Por que
não podemos acordar e ser outra pessoa, com outra personalidade,
com outras excentricidades, outras chatices, outros gostos?
Aí também poderiam entrar outro cotidiano, outra
família, outras relações, outros cenários...
Eu poderia, por exemplo, adorar mel e não só olhar
o mel no pote e achar que deve ser muito saboroso, mas não
conseguir comê-lo sem vomitar... Não falo em mudar,
tentar ser diferente do que somos. O que sou eu sou e não
tem como mudar. Falo de nascer diferente, começar do
zero, acordar um outro, experimentar outra personalidade, até
outro corpo, enfim, alguém menos eu que eu mesmo, entende?
Às vezes é muito chato ser eu. Cansei.
por
LRP.
12/13.05.2007:
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Fora do eixo
Peso nas costas. Olhos inchados e sapato furado. A
comida é daquelas que vem pronta, mas congelada. O quarto
é semi-escuro, só tem o abajur, a luz queimou.
O livro que estou no fim está com as últimas páginas
faltando. Escutando o silêncio, o barulho já não
existe. O nariz entupiu; respirar só pela boca ressecada.
Mãos tremulas e dormentes. 10x1 para o adversário
praticando física. Preciso rever meu dia.
por
MJ.
12.05.2007:
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Na massa, a onda
Por certo o Papa sabe que é pop. Para ser Papa
é preciso ser inteligente, perspicaz e não precisa
de tudo isso para perceber algumas nuances papalinas. Mas, nessa
vinda eclesiástica, parece que além de querer
um rebanho maior (embora já esteja provado que visitas
papais não garantem mais ovelhas - basta ver as visitas
de João Paulo II, o número de fiéis caiu
consideravelmente de lá para cá), há uma
certa preocupação com o número de padres
e afins da igreja, que é notório, está
em um declive. O mais preocupante, no entanto, são tratados
que são discutidos na surdina e que só vem à
tona se forem assinados, ou seja, já consumados. Como
se a população (e nisso inclui católicos
e não-católicos) não tivesse nada com isso.
Eu adoro a democracia.
por
MJ.
11.05.2007:
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O Papa é mesmo pop
Vendo pela televisão o Pacaembu lotado para
a celebração do papa, fico me perguntando: por
que aquelas pessoas estão lá? Estariam elas ali
para de fato ouvir e compreender a mensagem que o papa veio
nos passar? Ou estariam ali porque tudo é festa e ver
o papa é acontecimento único no mundo, algo que
irá “individualiza-lo” perante os amigos?
Só sei que é difícil crer nas intenções
católicas de todos esses que vão ver o papa, seja
no Pacaembu, no Mosteiro de São Bento ou no Campo de
Marte. A espetacularização da celebração
religiosa e a transformação do papa em celebridade
fazem-me cada vez menos crer na religião católica.
E o pior é que a Igreja é conivente com esse show.
E se orgulham em encher estádios e proclamar um discurso
retrógrado que ninguém leva muito a sério.
Cristianismo para os olhos e menos para o espírito. É
assim que querem reconquistar fiéis. Caminho errado,
creio. Toquemos para Aparecida agora. O show tem de continuar.
por
LRP.
10.05.2007:
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amigos do curupira
Há dias em que acordamos como o curupira, de
pé-virado. Não existe remédio, e nem há
o que fazer; mas não nos entreguemos, pois há
uma pequena parcela da população, bem pequena
(infinitesimal, diria eu), que chamo de amigos. Eles, coitados,
são os alvos das agruras que nem mesmo eu conheço,
mas dizem que estão ai para isso mesmo. Então,
sem compaixão, mas com paixão. Se eu é
um outro (como diria o poeta, amigo e integrante de nosso conselho,
Arthur Rimbaud), também sou eles e vice-versa. Mas, a
verdade é que isso acontece raras vezes, logo eles nem
percebem, ou não reclamam.
por
MJ.