outras textas:
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07.07.2007:

- Live Earth
Bem, agora que teve o show o mundo já é outro, está tudo mudado. Estou abismado com as mudanças. Todo mundo depois disso pensa diferente, foram realmente válidos os recursos, tempo e dinheiro dispendido.

por MJ.

01.07.2007:

- O desespero de Verônica Voss de Fassbinder
Dores lancinantes, Verônica sofre e martiriza-se aos poucos; antes dela, outras. Mas morfina alivia, dores lancinantes; mais morfina. Do ostracismo Verônica não vê apenas vai. Sob a guerra, Alemanha se esvai, mas há morfina. Dores alemãs lancinantes; jornalista apaixonado sob a guerra desconfia. Verônica bane a dor, temporariamente. Mas morfina não há mais, Verônica não suporta; Alemanha padece sob a guerra.

por MJ.

22.06.2007:

- Analfabetismo televisivo
A minissérie que adaptou o romance de Ariano Suassuna, A Pedra do Reino foi um fracasso de audiência. De nome homônimo ao romance do paraibano, a minissérie foi uma quebra aos padrões televisivos vigentes, isso se pegarmos quase a totalidade da programação. Muitas críticas já começam aparecer, tanto pró como contra a adaptação. De fato, a linguagem optada por Luiz Fernando Carvalho é da negação: não realista, não linear, e por aí vai; o que implica numa dificuldade na compreensão do espectador que está habituado a outro tipo de formato. Lembra-me os primórdios do cinema, momento em que o público não conseguia entender, pois não estava acostumado a este suporte. Acredito que isso também possa ser discutido, já que acredito num analfabetismo televisivo criado a partir da mudança dos elementos constitutivos de uma dada linguagem (como nos filmes de Godard), aqui no caso a TV.

por MJ.

18.05.2007:

- Morango
Toda vez que visto minha camisa pólo vermelha com listras brancas me lembro de Morango. Calma, não tem nada a ver com a cor da camisa. Mas quando a comprei a vendedora disse que se chamava Morango. Primeiro, eu pensei que fosse apelido (isso não acontece apenas comigo), depois me perguntei se não se tratava de um nome masculino. Peguei a camisa da mão de Morango e fui pra casa. De lá para cá, sinto até o perfume de Morango quando a visto; adoro Morango. Naquele dia devia ter comprado Morango.

por MJ.

17.05.2007:

- Adeus
Nada substitui o lápis. Podem inventar lapiseira, caneta, tinteira, com gel, sem gel, roller, até de tinta de ouro... Nada como o velho lápis, que com o tempo vai diminuindo de tamanho. Sim, aquele pedaço de madeira com grafite dentro, aquele tronco que você vai apontando sempre que a ponta arredonda demais... O grafite afinado é o grande prazer dos escritores a lápis. Mas também gosto de acompanhar sua vida útil. Cada apontada é tempo de vida a menos para ele. Quando se torna menor que a altura da mão é sinal de ser a hora de dizer adeus. Como a morte é triste, mesmo de um simples lápis, companheiro de palavras e confissões. Quanta memória e história encerram-se com ele. Estou de luto hoje.

por LRP.

16.05.2007:

- Corpo e exposição
Finalmente fui à exposição do Corpo: "Corpo humano: real e fascinante". É esquisito que toda a exposição tenha um caráter didático. Quando entramos na exposição os corpos lá dispostos estão como se mostrando. Sejamos mais claros. Para começar há um moldar os corpos, que se mostram como 'esculturas'. Muitas vezes, quando vemos os corpos em determinadas posições, temos a nítida impressão de que eles estão realmente se expondo, como se falassem "vejam aqui meu pulmão" ou "olhem meu sistema nervoso". O debate ético ou artístico deu espaço unicamente para o debate didático. Não que não tenha pertinência, mas acredito que ultrapasse e muito a restrição em tal debate. O que vemos quando vamos a esta exposição? Corpos reais? Não sei se posso dizer real, já que foram extremamente alterados, de maneira irreal, mas é inegável não ver vida que ali houve e ouve; também não posso negar o lado expositivo, das artes, para onde a exposição muitas vezes acena. Quando estava indo embora, vi camisas sendo comercializadas, uma delas tinha a estampa de um corpo, ou melhor, sua estrutura de músculos, virado de costas segurando uma bola: acho que resume as aflições que continuam na surdina nesta exposição.

por MJ.

14.05.2007:

- Cansei de ser eu
Sim, eis a sensação que me envolveu nesse dia das mães. Cansei de ser eu, de ser o LRP. Por que não podemos acordar e ser outra pessoa, com outra personalidade, com outras excentricidades, outras chatices, outros gostos? Aí também poderiam entrar outro cotidiano, outra família, outras relações, outros cenários... Eu poderia, por exemplo, adorar mel e não só olhar o mel no pote e achar que deve ser muito saboroso, mas não conseguir comê-lo sem vomitar... Não falo em mudar, tentar ser diferente do que somos. O que sou eu sou e não tem como mudar. Falo de nascer diferente, começar do zero, acordar um outro, experimentar outra personalidade, até outro corpo, enfim, alguém menos eu que eu mesmo, entende? Às vezes é muito chato ser eu. Cansei.

por LRP.

12/13.05.2007:

- Fora do eixo
Peso nas costas. Olhos inchados e sapato furado. A comida é daquelas que vem pronta, mas congelada. O quarto é semi-escuro, só tem o abajur, a luz queimou. O livro que estou no fim está com as últimas páginas faltando. Escutando o silêncio, o barulho já não existe. O nariz entupiu; respirar só pela boca ressecada. Mãos tremulas e dormentes. 10x1 para o adversário praticando física. Preciso rever meu dia.

por MJ.

12.05.2007:

- Na massa, a onda
Por certo o Papa sabe que é pop. Para ser Papa é preciso ser inteligente, perspicaz e não precisa de tudo isso para perceber algumas nuances papalinas. Mas, nessa vinda eclesiástica, parece que além de querer um rebanho maior (embora já esteja provado que visitas papais não garantem mais ovelhas - basta ver as visitas de João Paulo II, o número de fiéis caiu consideravelmente de lá para cá), há uma certa preocupação com o número de padres e afins da igreja, que é notório, está em um declive. O mais preocupante, no entanto, são tratados que são discutidos na surdina e que só vem à tona se forem assinados, ou seja, já consumados. Como se a população (e nisso inclui católicos e não-católicos) não tivesse nada com isso. Eu adoro a democracia.

por MJ.

11.05.2007:

- O Papa é mesmo pop
Vendo pela televisão o Pacaembu lotado para a celebração do papa, fico me perguntando: por que aquelas pessoas estão lá? Estariam elas ali para de fato ouvir e compreender a mensagem que o papa veio nos passar? Ou estariam ali porque tudo é festa e ver o papa é acontecimento único no mundo, algo que irá “individualiza-lo” perante os amigos? Só sei que é difícil crer nas intenções católicas de todos esses que vão ver o papa, seja no Pacaembu, no Mosteiro de São Bento ou no Campo de Marte. A espetacularização da celebração religiosa e a transformação do papa em celebridade fazem-me cada vez menos crer na religião católica. E o pior é que a Igreja é conivente com esse show. E se orgulham em encher estádios e proclamar um discurso retrógrado que ninguém leva muito a sério. Cristianismo para os olhos e menos para o espírito. É assim que querem reconquistar fiéis. Caminho errado, creio. Toquemos para Aparecida agora. O show tem de continuar.

por LRP.

10.05.2007:

- amigos do curupira
Há dias em que acordamos como o curupira, de pé-virado. Não existe remédio, e nem há o que fazer; mas não nos entreguemos, pois há uma pequena parcela da população, bem pequena (infinitesimal, diria eu), que chamo de amigos. Eles, coitados, são os alvos das agruras que nem mesmo eu conheço, mas dizem que estão ai para isso mesmo. Então, sem compaixão, mas com paixão. Se eu é um outro (como diria o poeta, amigo e integrante de nosso conselho, Arthur Rimbaud), também sou eles e vice-versa. Mas, a verdade é que isso acontece raras vezes, logo eles nem percebem, ou não reclamam.

por MJ.