17.08.2007:
-Pensamento
maldoso do dia
Quem
precisa de namorada/esposa/companheira quando se tem as temporadas
de Lost em DVD?
por
LRP.
28.07.2007:
-Perdido
(Lost) no vício
Sem
querer me deparei com um episódio do seriado Lost.
Sem querer sentei no sofá e comecei a vê-lo. Sem
querer fiquei até o fim dele. Sem querer me vi perguntando
pras pessoas que o assistem algumas coisas que o episódio
me suscitou. Sem querer me vi pegando a primeira temporada da
série em DVD e começando a assistir. Sem querer
me vi preso a este seriado e vendo de 4 a 6 episódios
por dia e sempre querendo ver o próximo. Sem querer passei
a dividir meu dia entre ver Lost e esperar para ver
Lost. E também sem querer termino de escrever
este post para voltar a ver Lost. Estou no meio da
primeira temporada. Faltam apenas mais duas e meia. Nada o que
umas 50 a 60 horas não resolvam.
por
LRP.
21.07.2007:
-Momento
inoportuno de poesia
Enquanto
todos param para ver tevê, esperam ansiosamente as vitórias
pan-americanas desse país abençoado por Deus e
bonito por natureza, enquanto jornais e emissoras apenas olham
para a tragédia do avião da TAM e exploram a dor
dos que ficaram diante daqueles que se foram, enquanto mais
uma vez todos param para ver tevê, sejam tragédias,
esporte ou novelas surreais e absurdas, desligo a tevê,
pois prefiro tever.
por
LRP.
18.07.2007:
-Desastre
aéreo
O que estamos esperanado para fechar a droga
deste aeroporto de congonhas, sempre há acidentes,
e deste naipe da tragédia de ontem não é
raro. Um aeroporto já sem condições
para suprir as necessidades e demandas dos portes dos
aviões que lá pousam. Muito infelizmente,
hoje estou de luto, naquele vôo havia um conhecido
e juntamente, como toda a tripulação, foi
alvo da negligência e descaso. Sem mais.
por
MJ.
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15.07.2007:
-Fundo
hoje o Estado da tristeza contra a ditadura da felicidade
Mais
cruel que a ditadura da beleza, mas indissociável dela,
é a ditadura da felicidade. Sim, cultiva-se uma tal obsessão
por ser feliz que o que nos resta é ser infeliz. Diante
do ótimo dossiê “Você é feliz?”,
da revista Mente&Cérebro, penso nas receitas
para ser feliz que pregam livros e reportagens e nas pesquisas
em torno da explicação científica da felicidade
(outras reportagens trouxeram a indicação do homem
mais feliz do mundo – um monge budista. Chegamos ao limite
de medir a felicidade). Tudo muito contemporâneo e atual,
mas ainda fico com a felicidade da era dos românticos,
de Álvares de Azevedo e demais byronianos. Eles cultivavam
a tristeza e creio que só nela eles eram felizes. A tristeza,
a melancolia romântica, era de fato sua forma de felicidade.
Mas se dizem que a felicidade é um estado da alma, por
que não fundar a tristeza como o Estado da alma? Ela
a nos regular, a nos orientar, a nos proteger. Se a obsessão
pela felicidade não trouxe efetivamente a felicidade,
por que não tentarmos a tristeza?
por
LRP.
14.07.2007:
-Meu
mundo do Castelo
A
experiência de quase 13 horas numa delegacia para fazer
um boletim de ocorrência de roubo e outro de acidente
de trânsito (não meu, mas do ladrão com
meu carro) calhou com minha leitura atual – O Castelo,
de Kafka. Exatamente lendo o capítulo 5, em que o prefeito
explica ao agrimensor K. por que sua convocação
foi um equívoco – um pedido inicial por um agrimensor
foi renegado por uma das repartições do Castelo,
mas a decisão acabou em se perdendo na burocracia dos
papéis e respostas, o que entravou o caso por anos e
anos, até que o agrimensor foi chamado – juntei
as peças e eu me senti no enredo kafkiano. A burocracia
de se ouvir pessoas, colher e digitar depoimentos, anotar dados,
imprimir n cópias e assinar todas, passar pela Polícia
Militar e depois pela Polícia Civil, voltar para a Polícia
Militar, aguardar digitalização de dados para
nova bateria de assinaturas... O que a polícia teve de
eficiência na ação contra o bandido, teve
de ineficiência para acelerar um processo que é
mais doloroso e cansativo que o estresse de ser ameaçado
e roubado... E Kafka escreveu na década de 1920...
por
LRP.
12.07.2007:
-Mi
Argentina querida
Tenho
uma teoria sobre o futebol brasileiro e a seleção
que talvez numa edição futura da Conjecturas
eu a desenvolva melhor, mas a síntese é a
seguinte: Parreira e a conquista da Copa do Mundo de 1994 acabaram
com o futebol brasileiro. Com o tetracampeonato, o futebol brasileiro
voltou a ser supervalorizado, o que gerou grande interesse de
clubes estrangeiros em jogadores daqui. O resultado foi que
mesmo jogadores medianos passaram a ser vendidos para fora,
e cada vez mais jovens, e aqui ficaram e ainda ficam os não
considerados tops. Outro resultado foi que o jogador passou
a ser mais valorizado dentro do Brasil, o que inflacionou salários
e ajudou a levar clubes à falência, como a maioria
dos clubes atualmente. Disso tudo resta dizer que ficam os times
brasileiros cada vez mais pobres e endividados, o futebol brasileiro
carece de grandes craques e nomes, gerando desinteresse, e os
campeonatos europeus cada vez mais ricos e repletos de grandes
nomes do futebol brasileiro.
Por
essas e outras que domingo sou Argentina de Riquelme, Messi,
Verón e Tevez contra a seleção mequetrefe
de Dunga e seus 4 zagueiros mais 4 volantes. Nunca o futebol
brasileiro quis tanto ser parecido com o europeu e só
pensar no sistema defensivo (antes, todos queriam ser como o
Brasil... Agora se inverteu a fórmula em nome de um modernismo
no futebol que Dunga colocou como sendo a sua seleção,
dos 8 defensores, mais goleiro e 2 caras isolados no ataque).
Dunga, que deve ter aprendido com Parreira em 1994, acaba por
superar seu mestre.
Para
o bem do futebol brasileiro, torço contra o Brasil e
a seleção de Parreira, Zagalo e agora de Dunga.
Isso sim é amar o país e seu futebol.
por
LRP.
10.07.2007:
-
Com açúcar e com afeto
Às vezes tudo é muito inútil.
Não adianta nem com açúcar nem com afeto,
às vezes torna-se até pior. E não é
por descaso ou falta de sentimentos, é que tem horas
que precisa-se de não-açúcar e não-afeto,
simples assim. Mas amanhã é outro dia, como sempre,
e daí, talvez, quem sabe será preciso de tudo
isso, com açúcar e com afeto, simples assim..
por
MJ.
07.07.2007:
-
Live Earth
Bem, agora que teve o show o mundo já é
outro, está tudo mudado. Estou abismado com as mudanças.
Todo mundo depois disso pensa diferente, foram realmente válidos
os recursos, tempo e dinheiro dispendido.
por
MJ.
01.07.2007:
-
O desespero de Verônica Voss de Fassbinder
Dores lancinantes, Verônica sofre e martiriza-se
aos poucos; antes dela, outras. Mas morfina alivia, dores lancinantes;
mais morfina. Do ostracismo Verônica não vê
apenas vai. Sob a guerra, Alemanha se esvai, mas há morfina.
Dores alemãs lancinantes; jornalista apaixonado sob a
guerra desconfia. Verônica bane a dor, temporariamente.
Mas morfina não há mais, Verônica não
suporta; Alemanha padece sob a guerra.
por
MJ.
22.06.2007:
-
Analfabetismo televisivo
A minissérie que adaptou o romance de Ariano
Suassuna, A Pedra do Reino foi um fracasso de audiência.
De nome homônimo ao romance do paraibano, a minissérie
foi uma quebra aos padrões televisivos vigentes, isso
se pegarmos quase a totalidade da programação.
Muitas críticas já começam aparecer, tanto
pró como contra a adaptação. De fato, a
linguagem optada por Luiz Fernando Carvalho é da negação:
não realista, não linear, e por aí vai;
o que implica numa dificuldade na compreensão do espectador
que está habituado a outro tipo de formato. Lembra-me
os primórdios do cinema, momento em que o público
não conseguia entender, pois não estava acostumado
a este suporte. Acredito que isso também possa ser discutido,
já que acredito num analfabetismo televisivo criado a
partir da mudança dos elementos constitutivos de uma
dada linguagem (como nos filmes de Godard), aqui no caso a TV.
por
MJ.
18.05.2007:
-
Morango
Toda vez que visto minha camisa pólo vermelha
com listras brancas me lembro de Morango. Calma, não
tem nada a ver com a cor da camisa. Mas quando a comprei a vendedora
disse que se chamava Morango. Primeiro, eu pensei que fosse
apelido (isso não acontece apenas comigo), depois me
perguntei se não se tratava de um nome masculino. Peguei
a camisa da mão de Morango e fui pra casa. De lá
para cá, sinto até o perfume de Morango quando
a visto; adoro Morango. Naquele dia devia ter comprado Morango.
por
MJ.
17.05.2007:
-
Adeus
Nada substitui o lápis. Podem inventar lapiseira,
caneta, tinteira, com gel, sem gel, roller, até de tinta
de ouro... Nada como o velho lápis, que com o tempo vai
diminuindo de tamanho. Sim, aquele pedaço de madeira
com grafite dentro, aquele tronco que você vai apontando
sempre que a ponta arredonda demais... O grafite afinado é
o grande prazer dos escritores a lápis. Mas também
gosto de acompanhar sua vida útil. Cada apontada é
tempo de vida a menos para ele. Quando se torna menor que a
altura da mão é sinal de ser a hora de dizer adeus.
Como a morte é triste, mesmo de um simples lápis,
companheiro de palavras e confissões. Quanta memória
e história encerram-se com ele. Estou de luto hoje.
por
LRP.
16.05.2007:
-
Corpo e exposição
Finalmente fui à exposição do
Corpo: "Corpo humano: real e fascinante". É
esquisito que toda a exposição tenha um caráter
didático. Quando entramos na exposição
os corpos lá dispostos estão como se mostrando.
Sejamos mais claros. Para começar há um moldar
os corpos, que se mostram como 'esculturas'. Muitas vezes, quando
vemos os corpos em determinadas posições, temos
a nítida impressão de que eles estão realmente
se expondo, como se falassem "vejam aqui meu pulmão"
ou "olhem meu sistema nervoso". O debate ético
ou artístico deu espaço unicamente para o debate
didático. Não que não tenha pertinência,
mas acredito que ultrapasse e muito a restrição
em tal debate. O que vemos quando vamos a esta exposição?
Corpos reais? Não sei se posso dizer real, já
que foram extremamente alterados, de maneira irreal, mas é
inegável não ver vida que ali houve e ouve; também
não posso negar o lado expositivo, das artes, para onde
a exposição muitas vezes acena. Quando estava
indo embora, vi camisas sendo comercializadas, uma delas tinha
a estampa de um corpo, ou melhor, sua estrutura de músculos,
virado de costas segurando uma bola: acho que resume as aflições
que continuam na surdina nesta exposição.
por
MJ.
14.05.2007:
-
Cansei de ser eu
Sim, eis a sensação que me envolveu nesse
dia das mães. Cansei de ser eu, de ser o LRP. Por que
não podemos acordar e ser outra pessoa, com outra personalidade,
com outras excentricidades, outras chatices, outros gostos?
Aí também poderiam entrar outro cotidiano, outra
família, outras relações, outros cenários...
Eu poderia, por exemplo, adorar mel e não só olhar
o mel no pote e achar que deve ser muito saboroso, mas não
conseguir comê-lo sem vomitar... Não falo em mudar,
tentar ser diferente do que somos. O que sou eu sou e não
tem como mudar. Falo de nascer diferente, começar do
zero, acordar um outro, experimentar outra personalidade, até
outro corpo, enfim, alguém menos eu que eu mesmo, entende?
Às vezes é muito chato ser eu. Cansei.
por
LRP.
12/13.05.2007:
-
Fora do eixo
Peso nas costas. Olhos inchados e sapato furado. A
comida é daquelas que vem pronta, mas congelada. O quarto
é semi-escuro, só tem o abajur, a luz queimou.
O livro que estou no fim está com as últimas páginas
faltando. Escutando o silêncio, o barulho já não
existe. O nariz entupiu; respirar só pela boca ressecada.
Mãos tremulas e dormentes. 10x1 para o adversário
praticando física. Preciso rever meu dia.
por
MJ.
12.05.2007:
-
Na massa, a onda
Por certo o Papa sabe que é pop. Para ser Papa
é preciso ser inteligente, perspicaz e não precisa
de tudo isso para perceber algumas nuances papalinas. Mas, nessa
vinda eclesiástica, parece que além de querer
um rebanho maior (embora já esteja provado que visitas
papais não garantem mais ovelhas - basta ver as visitas
de João Paulo II, o número de fiéis caiu
consideravelmente de lá para cá), há uma
certa preocupação com o número de padres
e afins da igreja, que é notório, está
em um declive. O mais preocupante, no entanto, são tratados
que são discutidos na surdina e que só vem à
tona se forem assinados, ou seja, já consumados. Como
se a população (e nisso inclui católicos
e não-católicos) não tivesse nada com isso.
Eu adoro a democracia.
por
MJ.
11.05.2007:
-
O Papa é mesmo pop
Vendo pela televisão o Pacaembu lotado para
a celebração do papa, fico me perguntando: por
que aquelas pessoas estão lá? Estariam elas ali
para de fato ouvir e compreender a mensagem que o papa veio
nos passar? Ou estariam ali porque tudo é festa e ver
o papa é acontecimento único no mundo, algo que
irá “individualiza-lo” perante os amigos?
Só sei que é difícil crer nas intenções
católicas de todos esses que vão ver o papa, seja
no Pacaembu, no Mosteiro de São Bento ou no Campo de
Marte. A espetacularização da celebração
religiosa e a transformação do papa em celebridade
fazem-me cada vez menos crer na religião católica.
E o pior é que a Igreja é conivente com esse show.
E se orgulham em encher estádios e proclamar um discurso
retrógrado que ninguém leva muito a sério.
Cristianismo para os olhos e menos para o espírito. É
assim que querem reconquistar fiéis. Caminho errado,
creio. Toquemos para Aparecida agora. O show tem de continuar.
por
LRP.
10.05.2007:
-
amigos do curupira
Há dias em que acordamos como o curupira, de
pé-virado. Não existe remédio, e nem há
o que fazer; mas não nos entreguemos, pois há
uma pequena parcela da população, bem pequena
(infinitesimal, diria eu), que chamo de amigos. Eles, coitados,
são os alvos das agruras que nem mesmo eu conheço,
mas dizem que estão ai para isso mesmo. Então,
sem compaixão, mas com paixão. Se eu é
um outro (como diria o poeta, amigo e integrante de nosso conselho,
Arthur Rimbaud), também sou eles e vice-versa. Mas, a
verdade é que isso acontece raras vezes, logo eles nem
percebem, ou não reclamam.
por
MJ.