Número 7: a chegada
Depois
de seis edições, merecíamos uma pequena
pausa. Entretanto, quando falamos ‘merecíamos’
na terceira pessoa do plural, estamos obviamente nos reportando
não apenas aos editores, mas também aos leitores.
Uma pausa que significa “revisitar” o que é
conjecturas e o que queremos que ela seja,
os seus novos rumos. Acreditamos que rever nossos próprios
conceitos seja necessário para que o foco inicial dos
questionamentos (e também o entusiasmo) não seja
quebrado. Assim, esta pausa deve ser periódica, a cada
seis meses.
Na
presente edição, em diversos textos, poderemos
contemplar nossa homenagem a dois grandes pensadores e desbravadores
da alma humana: Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. Eles
que continuam ativos em nós, antropofagicamente, são
regurgitados de maneira direta nesta edição. No
primeiro caso, há uma tentativa de firmar um ponto de
encontro entre Bergman e Bataille, notadamente com a noção
de “experiência interior” cunhada por Bataille
em seu livro homônimo. Essa experiência dissoluta
e complexa aparece como uma via de entendimento, ou melhor,
de não-entendimento daquele cinema. Não-entendimento
também é o caso de Antonioni, que trabalha em
seu cinema as relações, ou a impossibilidade delas,
demonstrando uma sociedade que parece regredir no tempo e voltar
a uma espécie de solidão, matriz da comunicação
humana. Assim, o texto percorre a trilogia (a saber, A Aventura,
A Noite e O Eclipse) conhecida por “trilogia
da incomunicabilidade”, mesmo que o cineasta não
aceitasse muito essa classificação.
Toda a edição parece voltar-se de alguma forma
à citação de Flusser, utilizada por Lucas
Rodrigues Pires em seu texto sobre Antonioni: “A comunicação
humana é um artifício cuja intenção
é nos fazer esquecer a brutal falta de sentido de uma
vida condenada à morte. Sob a perspectiva da natureza,
o homem é um animal solitário que sabe que vai
morrer e que na hora de sua morte está sozinho”.
Mesmo os textos que compõem a seção mundar
assumem esta postura.
Trata-se
de uma edição especial para saudar os dois grandes
mestres do cinema, não em um tom de tristeza cabisbaixa,
ao contrário, em tom de boas vindas, já que a
partir da próxima edição (número
8) já farão parte de nosso conselho científico/editorial.
Desejamos
aos leitores uma boa viagem pelos não-sentidos dos textos.
Os
Editores