Acordei
assustado no meio da noite. Em meu apartamento vazio lá
estava eu, entre lençóis, mas não é
pecado. Igreja alguma me condenaria por dormir sozinho sem camisa.
O ambiente todo tem um aspecto cinza azulado, pela janela distingo
umas poucas luzes da cidade, Deus há de me perdoar, pois
não estou espionando, apenas tentando entender o que
me acordou.
Minha cama semi-iluminada, os lençóis brancos
que ganhei de alguém que já me esqueci há
tempos. O suor em meu corpo, meu cabelo desarrumado, mas não
há nada de pervertido ou errado nisso, pois não
estou numa festa nem em nada parecido, estou em meu quarto acordado
de repente no meio da noite por algo que nem sei o que é.
Esse pensamento todo me passa em menos de um segundo, estou
agora encostado no vidro da janela, tentando entender a cidade
que se desliza em minha frente. E novamente escuto um estampido
característico, me afasto da janela e rezo. Rezo pela
alma de mais um irmão que deixou este mundo.