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Pelas Tabelas Andava pela rua. Fulminante. Sem olhar para os lados.
Rápido. Passo após passo. Destino na mão.
Andava. Pensava. Coçava. Andava. Rápido. Fulminante.
Sem respirar. Mãos suadas. Andava. Ventos, poeira. Calçada,
relva, areia. Andava. Sem olhar para os lados. Cheguei. Parado.
Não paro. Cansado. Ando. Penso. Penso. Ando.
por
MJ.
03.02.2007:
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King Kong ou a ferida escancarada King Kong 2005, a refilmagem de um grande sucesso de
bilheteria (o que não influi em nada em sua qualidade)
dos anos 70. A história todos conhecem, logo um remake
feito apenas para apreciarmos os efeitos especiais. Sobretudo
pelo histórico do diretor que vinha de uma grande trilogia
(Sr. dos Anéis) competente nesse requisito. Mas o que
vejo é uma ferida descortinada neste filme. Ele é
feito em um momento anterior às torres gêmeas.
Se olharmos para o filme de 70, Kong escala o World Trade Center.
Se Jackson optasse por fazer um filme nos dias de hoje, Kong
igualmente (como o Kong de 33) teria de subir o Empire States
(já que as torres..., bem sabemos das torres) e aquele
vazio, o vazio cheio de pus da dor americana estaria desvelada
mais uma vez. O que se faz então é tampar a ferida,
e assim, ela fica escancarada para quem quiser vê-la.
por
MJ.
28.01.2007:
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A fidelidade, a imagem da cultura O que é a fidelidade? Nosso oráculo tenta
mais uma vez responder: “Qualidade de fiel; lealdade”.
Tudo bem, partirei do pressuposto que fiel todos sabem,
assim não precisamos ir mais uma vez à Delfos
consultar o oráculo. O homem que cumpre aquilo que se
obriga é o homem da cultura. Pensemos um pouco no homem
pré-histórico (credo, sem escrita não se
tem história, que coisa medonha, como o estudamos?),
ele certamente não se vangloriava por ser fiel, pois
isto não existia. Mas, cumpria seus instintos, e o instinto
diz outra coisa, inversa diga-se de passagem, da fidelidade.
Mas, a cultura que adestra o homem encarregou-se de lhe pôr
um outro recalque e... e bom, queiramos ou não em algum
momento somos fiéis, e a sociedade nos cobra por isso
que ela criou.
por
MJ.
27.01.2007:
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Os Mutantes do presente Não, não estamos na década
de 60 ou 70, e também não é como retornar
àquele tempo. Sim, Os Mutantes estão de volta,
mas insisto, não “é como se voltássemos
no tempo”. O tempo (sobretudo depois de Proust) é
algo muito peculiar, as sensações, os sabores,
as impressões, ou seja, todo o agenciamento dessas coisas
e muitas outras que acontecem a todo segundo não é
passível de retorno, é evidente que podemos lembrar,
recordar até mesmo ao ponto de cometer desvarios de sentir
um cheiro que não há ou escutar uma música
que não está tocando, mas isso é longe,
muito longe de como se voltássemos no tempo. Basta piscar,
olhar ao redor e pronto. Mas, felizmente há a fantasia,
que tudo pode mudar, inclusive o tempo.
por
MJ.
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Ah, o poder...
O
poder é algo destruidor, pois, quando se chega a ele,
a maior preocupação que se tem é a de mantê-lo.
Parece contraditório, mas é o curso natural das
coisas: todos querem chegar ao poder, para tanto, precisam tirar
quem lá está e quem lá está quer
se manter onde está. O resultado disso tudo é
uma competição acirrada, em que todas as armas
podem ser usadas. Quando se trata de poder político,
a situação é mais drástica ainda,
pois pode enveredar para ações de violência
e coação, ou atitudes escamoteadas mas que tenham
fins autoritários. Cansamos de ver isso no século
XX, em toda a história humana. Quando dizem que o poder
corrompe, portanto, acreditem. O socialismo tentou consertar
isso, não conseguiu. O capitalismo, ao contrário,
só o intensificou. Falta testarmos o anarquismo. Quem
se habilita?
por
LRP.
24.01.2007:
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O grande invento do homem
Qual a maior invenção do
ser humano em toda sua história? Seria a roda, que criou
atalhos espaço-temporais para qualquer locomoção?
Ou seria o fogo, que ajudou a cozer alimentos, espantar o frio
e outros predadores? Talvez a escrita, que abriu brecha para
o acúmulo e transmissão do conhecimento? Quem
sabe a instrumentalização da natureza em objetos
para auxiliar na caça, coleta e defesa de território?
Não, nenhum deles é o grande invento do homem.
A maior invenção humana foi DEUS.
po
LRP.
23.01.2007:
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Deslumbramento Nosso
amigo oráculo responde: "Fascinação,
encanto, maravilha". Ou seja, deslumbrar-se é algo
impactante e inebriante. É o estado em que muitas vezes
me encontro ao ler um livro que não esperava muita coisa.
Como no último agosto, do qual tive o gosto de ler Desvarios
no Brooklyn. Eu realmente não lograva atenção
ao Sr. Auster, até que um amigo ressaltou as qualidades
deste americano. Precisamos baixar as guardas, e olhar mais
para o horizonte, de olhos bem fechados é mais difícil
deslumbrar-se. O mesmo ocorre com artes plásticas, mas
ali, um pouco mais vacinado, tento subir nas árvores,
tal qual o Barão nas Árvores de Calvino,
e apreciar com um pouco mais de deferência, assim também
os menores e as pequenas são revistos.
por
MJ.
22.01.2007:
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Ler e se isolar
Ler
é um ato de isolamento. Quando pegamos um livro e passamos
a lê-lo, nos isolamos dos chatos que andam por aí,
mas não dos chatos sem “simancol”, que insistem
em despertar-nos de nosso exílio voluntário. Antes
de dormir, tenho certa necessidade da leitura. Não para
me isolar do mundo exterior – ainda estou sozinho para
dormir – mas sim do meu mundo interior. O mais importante
da leitura é o isolamento que fazemos de nós mesmos.
Aquele tempo em que visitamos outros mundos, seja o de Philip
Roth, Milton Hatoum ou do ainda bom e velho Cony, para citar
meus últimos anfitriões, nos afasta de nossos
próprios fantasmas. Mas é só momentaneamente,
pois, quando apago a luz, sinto meus fantasmas de volta a me
rodear, assoprando no ouvido meus maiores medos e obsessões.
por
LRP.
20.01.2007:
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Chocolate, o ritual Como
é possível alguém escrever, traduzir, pensar
ou ler sem chocolates? A resposta é simples: não
é possível! A história do chocolate remonta
mais ou menos 1.500 anos A.C. Ali era usado como ritos religiosos,
pois era considerado o alimento dos deuses. Comigo não
é diferente, continua sendo um uso ritualístico,
ponho meu tablete ou bombom do lado direito do livro ou teclado
e a coca-light do lado esquerdo. Vagarosamente deixo que o chocolate
ganhe a boca pela saliva até que ele se transforme num
poderoso fruto que engendra o pensamento liberando as idéias.
Um elemento eficaz, que muito antes de nós, Olmecas,
Maias, Toltecas etc. já se deliciavam com tal alimento
mágico.
por
MJ.
19.01.2007:
- Circuladô de Fulô
Ultimamente é uma idéia
que está me influenciando muito, seja cantada por Caetano
ou lida por Haroldo. De alguma forma me leva para outros patamares;
pensamentos que remetem ao infinito, ao retorno, algo circular.
Neste último mês, uma amiga foi alvo dessas inquetações,
aproveitei que prometi escrever-lhe uma carta para indicar o
circuladô de fulô, a roda da fortuna ou o catavento
ou o girassol, etc.
por
MJ.
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O Leopardo
Ver um quadro e não vê-lo.
Observar um homem à beira da morte e familiares ao redor
em desespero, mas de fato o que se enxerga ali é apenas
a própria morte. Eis o lance final do filme O Leopardo,
de Luchino Visconti, em que o Príncipe de Salina, o tal
Leopardo do título, deixa o salão do baile e vai
descansar na biblioteca. É ali que ele tem o encontro
com o quadro, com a morte, com sua própria morte. Tal
qual um jazigo, o personagem do filme viu um quadro, mas foi
a morte que olhou pra ele. E ele encarou, tanto que ao final,
no caminho de casa ao amanhecer andando pela rua, declama sua
ode de morte às estrelas...
por
LRP.
18.01.2007:
- "Branca Branca Branca, Leo Leo Leone"
"Sono Brancaleone da Norcia!".
Hoje é dia de Brancaleone, o grande clássico de
Mario Monicelli, um filme inesquecível que revejo com
muita freqüência. Não sei de onde veio, mas
acordei com o cavaleiro da Norcia resmungando, pedindo para
que fosse revista a cena na qual o Padre clama pela travessia
numa ponte precária, o final dessa cena já sabemos...
aliás, deixa eu atender o Branca que ainda me chama...
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