11.12.2007:
-O
tempo perdido
Jambo.
Cheiro de jambo invadiu a taça e, ao beber, senti a infância
me invadir. No segundo seguinte, estava no interior de São
Paulo, no terreno do vizinho, com um amigo derrubando jambo
do alto jambeiro que certamente tinha mais de oito vezes a minha
idade. Criança, relembrei o sabor doce dessa fruta pouco
conhecida que eu adorava. Com uma vara, acertar os pequenos
jambos marronzinhos e vê-los cair. Sujos de terra, limpá-los
na camiseta e mordê-los com vontade. Sentir os dentes
se cravarem na carne do jambinho, que se derretia na boca. Durou
pouco minha experiência ao passado. Acabou o vinho de
sobremesa de sabor de infância. Preciso de mais dessas
máquinas do tempo.
por LRP.
08.12.2007:
-No
pensar.
Às
vezes canso de pensar, às vezes de pensar em pensar.
Daí descaio em algum lugar: olhar perdido, insistente,
marcando o azul de uma borboleta qualquer, então nada
mais vejo e me ponho a pensar.
por MJ.
30.11.2007:
-Os
cheiros em 'Um bar' em 1882.
Un
bar aux Folies-Bergère. Ah! Manet, ainda é
possível sentir o forte cheiro das laranjas no boião
de vidro; as bebidas multicoloridas ainda exalam; o tabaco percorre
o ambiente, e o monsieur a tratar com a balconista
ainda tem um cheiro de quem exagerou na dose do perfurme e da
bebida.
por MJ.
16.10.2007:
-Dúvida
cruel
Se
uma câmera fotográfica está pronta para
ser acionada e você está diante dela, sem olhar
para ela, é possível dizer que a câmera,
ao ser acionada, captou sua imagem? Se pensar que a imagem é
um ser autônomo do objeto, que tem vida e realidade próprias,
é possível dizer que a câmera atingiu aquele
objeto?
Se
estamos diante da mesma câmera fotográfica, olhando
para ela, mas com o pensamento distante, lá nos confins
da memória, diante de um mar azul ou de um filme antigo,
e a câmera é disparada registrando você num
suporte de papel, é possível afirmar que aquela
câmera registrou a sua pessoa? Agora, diante da mesma
câmera, com o espírito focado nela e ansioso pelo
sinal luminoso, é possível dizer que nosso ser
foi captado por aquela câmera?
Afinal,
o que define a imagem criada – a intenção
da máquina ou a intenção do objeto-homem
retratado?
por LRP.
02.10.2007:
-Comparação?
Se
existe uma coisa que eu não faço é comparar;
pode ser mulheres, roupas ou compositores, não comparo.
Nem mesmo obras de arte, prática corrente nas análises,
não faço. Nem mesmo para identificar os opostos
(quente e frio, etc.). Mas, Rimbaud está para Mallarmé
assim como Fellini está para Godard, construir e destruir.
por MJ.
15.09.2007:
-Passo
seguinte
antonioni
bergman antonioni bergman antonigni bergiman amtonigoni birgiman
bmtonigoni airgiman bmtenigoni ainrgiman bemtenigoni anortgimi
bemgteoni antogimi berngteoni birgiman amtonigoni bergiman antonigni
bergman antonioni
por
MJ.
10.09.2007:
-Dois
anjos
Meninos
tocam Nay, meninas Daf. Não são instrumentos sexuais,
mas a lei da escola manda. Cada qual de uma região diferente
do Irã. Pai não compartilha, "meu fliho anda
no caminho errado". Se o pai não o protege, ninguém
mais o poderá fazer, a não ser um anjo. Dois anjos,
dois garotos, um garoto e um pastor, um garoto e uma mãe:
mensageiros das boas novas. O pai por pouco nao mata o filho,
ele acredita que completou o ato. Filho vive, renasce, "sua
heresia se transformou em fé"; um anjo, da música,
mensageiro, "e que assim seja pela eternidade".
por
MJ.
09.09.2007:
-Os
grandes formatos das revistas
Mais
que bela coisa esta de criar estas revistas grandes: Caros
Amigos, Piauí, O Nó Górdio.
Todas elas bastante interessantes, conteúdo bom. Mas
além de tudo, são extremamente úteis. Num
desses dias indefiníveis (chuva, sol, frio, calor, tudo
junto), o quarto empestou-se dessas muriçocas que insistem
em incomodar em horas nada propícias. Não achei
nada para afastá-las, quando de chofre avistei uma capa
vermelha, quase reluzente. Era uma Piauí, ainda
nova - senão completamente, me chamando para acabar com
estes mosquitos, e assim foi. Em menos de um minuto esta gigante
revista restabeleceu a ordem em meu quarto; como recompensa
eu li uma página da revista. Em breve, talvez quando
mais muriçocas chegarem, eu me lembre de ler outra página.
por
MJ.
06.09.2007:
-Os
demônios, que saudades!
Lá
se vão uns dois meses que terminei o quase interminável
livro Os Demônios de Dostoiéviski. Demorei
um bom tempo para completar as mais de 600 paginas do livro,
quando enfim terminei pensei que realmente tivesse acabado:
ilusão, não raro me ponho a folheá-lo quase
semanalmente para cumprimentar e matar as saudades dos personagens
que conviveram comigo um bom tempo, Stiepan Trofímovitch,
Dária Pavlovna e até mesmo os maus caráters
Chigalióv e Piotr Stiepánovitch (filho de Stiepan)
dos quais fui cúmplice de muita coisa. Acho que vou reler.
por
MJ.
28.07.2007:
-Perdido
(Lost) no vício
Sem
querer me deparei com um episódio do seriado Lost.
Sem querer sentei no sofá e comecei a vê-lo. Sem
querer fiquei até o fim dele. Sem querer me vi perguntando
pras pessoas que o assistem algumas coisas que o episódio
me suscitou. Sem querer me vi pegando a primeira temporada da
série em DVD e começando a assistir. Sem querer
me vi preso a este seriado e vendo de 4 a 6 episódios
por dia e sempre querendo ver o próximo. Sem querer passei
a dividir meu dia entre ver Lost e esperar para ver
Lost. E também sem querer termino de escrever
este post para voltar a ver Lost. Estou no meio da
primeira temporada. Faltam apenas mais duas e meia. Nada o que
umas 50 a 60 horas não resolvam.
por
LRP.