outras textas:
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04.04.2008:

- Na natueza selvagem
Será Sean Penn uma espécie de neo-estóico?
O filme, que procurar retratar a vida de Chris McCandless, tem seus méritos. A via escolhida para costurar a narrativa é a da típica insatisfação com a vida burguesa e supostamente sem sentido, regada pela má influência dos pais, que acabam levando boa parte da culpa pelo – não apenas o desfecho – no percurso de Chris (um ponto forte do filme, a interpretação do personagem principal). Chris (que abandona sua identidade para tornar-se Alexander Supertramp), a cada passo (ou melhor, a cada capítulo, pois é construído como se fosse um livro nunca feito) há uma descoberta, um aprendizado que culmina pouco a pouco numa integralização com a natureza. Por vezes até mesmo forçada com passagens para lá de estóicas, sobretudo o fim e a última frase, quando ele está olhando aos céus.

por MJ.

14.02.2008:

- A mulher de Lennon
Não faz muito tempo, terminou a exposição de Yoko Ono, uma retrospectiva, que ocorreu no CCBB-SP. Por certo tem seu valor e é esteticamente muito interessante, entretanto, vemos uma clara preocupação feminista em suas obras, o que também é louvável. Mas é inevitável em nossa cultura machista olhar para sua obra e procurar John Lennon, e se encontra. As explicações estão por todos os lados; a bunda de Lennon, a escada em que Lennon subiu e leu “SIM” apaixonando-se pela artista. O que li e vi, infelizmente remetiam à mulher de Lennon e não à Yoko Ono, com a identidade que ela merece. (Não creio que seja apenas por ela ter casado com um grande conhecido, Simone de Beauvoir o fez, mas conseguiu se sair melhor em sua empresa).

por MJ.

28.01.2008:

- Vou ser coroado rei de mim
Tem uma música dos Los Hermanos, num dos melhores CD lançados nos anos 2000 (Ventura), ‘De onde vem a calma’ (a faixa que encerra o álbum), que termina com uma expressão sensacional. Para tanto, reproduzo aqui toda a estrofe: “Eu não vou mudar não/ Eu vou ficar são/ Mesmo se for só,/ não vou ceder/ Deus vai dar aval sim,/ o mal vai ter fim/ e no final assim calado/eu sei que vou ser coroado rei de mim”. Se coroado rei de mim, que sensação maravilhosa deve ser você ser rei de si. Convenhamos, quem hoje em dia pode dizer que é rei de si? Creio que a vida é vivida em busca disso – ser coroado rei de si mesmo, apesar de que parece o oposto. É uma busca por emancipação, por uma realeza, por uma autonomia e um poder sobre si... O que é ser rei da França, da Inglaterra ou da Dinamarca, poder mandar e desmandar, resolver o destino de sua e outras nações, de pessoas, ser servido a hora e como quiser, se ele não pode controlar seu destino, não tem a liberdade para tanto? Afinal, o que o homem busca, no fundo, não é ser rei de si mesmo? Alguém duvida que o Príncipe Charles trocaria ser rei de si do que em breve ser rei da Inglaterra?

por LRP.

27.01.2008:

- Nara Takai; Pato Leão
Com muita ansiedade parti para comprar o álbum de Fernanda Takai com releituras de algumas músicas de Nara Leão, mas infelizmente, precisei esperar uns 30 dias, já que se esgotara rapidamente. Finalmente consegui, e me reservei para escutá-lo inteiro e sem interrupções. A surpresa foi boa, Com açúcar, com afeto de Chico ficou muito original e bonita, mas algo me intrigava nas sucessões das canções. Logo percebi o que me incomodava. Eu esperava um álbum de Fernanda Takai cantando Nara Leão, uma interpretação diversa daquela de seu grupo musical, um projeto paralelo. Entretanto, o que vi foi algo como "Pato Fu canta Nara Leão"; ficou muito bom, mas nada que, a meu ver, difira o trabalho solo de Takai com aquele do Pato Fu.

por MJ.

11.12.2007:

-O tempo perdido
Jambo. Cheiro de jambo invadiu a taça e, ao beber, senti a infância me invadir. No segundo seguinte, estava no interior de São Paulo, no terreno do vizinho, com um amigo derrubando jambo do alto jambeiro que certamente tinha mais de oito vezes a minha idade. Criança, relembrei o sabor doce dessa fruta pouco conhecida que eu adorava. Com uma vara, acertar os pequenos jambos marronzinhos e vê-los cair. Sujos de terra, limpá-los na camiseta e mordê-los com vontade. Sentir os dentes se cravarem na carne do jambinho, que se derretia na boca. Durou pouco minha experiência ao passado. Acabou o vinho de sobremesa de sabor de infância. Preciso de mais dessas máquinas do tempo.

por LRP.

08.12.2007:

-No pensar.
Às vezes canso de pensar, às vezes de pensar em pensar. Daí descaio em algum lugar: olhar perdido, insistente, marcando o azul de uma borboleta qualquer, então nada mais vejo e me ponho a pensar.

por MJ.

30.11.2007:

-Os cheiros em 'Um bar' em 1882.
Un bar aux Folies-Bergère. Ah! Manet, ainda é possível sentir o forte cheiro das laranjas no boião de vidro; as bebidas multicoloridas ainda exalam; o tabaco percorre o ambiente, e o monsieur a tratar com a balconista ainda tem um cheiro de quem exagerou na dose do perfurme e da bebida.

por MJ.

16.10.2007:

-Dúvida cruel
Se uma câmera fotográfica está pronta para ser acionada e você está diante dela, sem olhar para ela, é possível dizer que a câmera, ao ser acionada, captou sua imagem? Se pensar que a imagem é um ser autônomo do objeto, que tem vida e realidade próprias, é possível dizer que a câmera atingiu aquele objeto?

Se estamos diante da mesma câmera fotográfica, olhando para ela, mas com o pensamento distante, lá nos confins da memória, diante de um mar azul ou de um filme antigo, e a câmera é disparada registrando você num suporte de papel, é possível afirmar que aquela câmera registrou a sua pessoa? Agora, diante da mesma câmera, com o espírito focado nela e ansioso pelo sinal luminoso, é possível dizer que nosso ser foi captado por aquela câmera?

Afinal, o que define a imagem criada – a intenção da máquina ou a intenção do objeto-homem retratado?

por LRP.

02.10.2007:

-Comparação?
Se existe uma coisa que eu não faço é comparar; pode ser mulheres, roupas ou compositores, não comparo. Nem mesmo obras de arte, prática corrente nas análises, não faço. Nem mesmo para identificar os opostos (quente e frio, etc.). Mas, Rimbaud está para Mallarmé assim como Fellini está para Godard, construir e destruir.

por MJ.

15.09.2007:

-Passo seguinte
antonioni bergman antonioni bergman antonigni bergiman amtonigoni birgiman bmtonigoni airgiman bmtenigoni ainrgiman bemtenigoni anortgimi bemgteoni antogimi berngteoni birgiman amtonigoni bergiman antonigni bergman antonioni

por MJ.

10.09.2007:

-Dois anjos
Meninos tocam Nay, meninas Daf. Não são instrumentos sexuais, mas a lei da escola manda. Cada qual de uma região diferente do Irã. Pai não compartilha, "meu fliho anda no caminho errado". Se o pai não o protege, ninguém mais o poderá fazer, a não ser um anjo. Dois anjos, dois garotos, um garoto e um pastor, um garoto e uma mãe: mensageiros das boas novas. O pai por pouco nao mata o filho, ele acredita que completou o ato. Filho vive, renasce, "sua heresia se transformou em fé"; um anjo, da música, mensageiro, "e que assim seja pela eternidade".

por MJ.

09.09.2007:

-Os grandes formatos das revistas
Mais que bela coisa esta de criar estas revistas grandes: Caros Amigos, Piauí, O Nó Górdio. Todas elas bastante interessantes, conteúdo bom. Mas além de tudo, são extremamente úteis. Num desses dias indefiníveis (chuva, sol, frio, calor, tudo junto), o quarto empestou-se dessas muriçocas que insistem em incomodar em horas nada propícias. Não achei nada para afastá-las, quando de chofre avistei uma capa vermelha, quase reluzente. Era uma Piauí, ainda nova - senão completamente, me chamando para acabar com estes mosquitos, e assim foi. Em menos de um minuto esta gigante revista restabeleceu a ordem em meu quarto; como recompensa eu li uma página da revista. Em breve, talvez quando mais muriçocas chegarem, eu me lembre de ler outra página.

por MJ.

06.09.2007:

-Os demônios, que saudades!
Lá se vão uns dois meses que terminei o quase interminável livro Os Demônios de Dostoiéviski. Demorei um bom tempo para completar as mais de 600 paginas do livro, quando enfim terminei pensei que realmente tivesse acabado: ilusão, não raro me ponho a folheá-lo quase semanalmente para cumprimentar e matar as saudades dos personagens que conviveram comigo um bom tempo, Stiepan Trofímovitch, Dária Pavlovna e até mesmo os maus caráters Chigalióv e Piotr Stiepánovitch (filho de Stiepan) dos quais fui cúmplice de muita coisa. Acho que vou reler.

por MJ.

28.07.2007:

-Perdido (Lost) no vício
Sem querer me deparei com um episódio do seriado Lost. Sem querer sentei no sofá e comecei a vê-lo. Sem querer fiquei até o fim dele. Sem querer me vi perguntando pras pessoas que o assistem algumas coisas que o episódio me suscitou. Sem querer me vi pegando a primeira temporada da série em DVD e começando a assistir. Sem querer me vi preso a este seriado e vendo de 4 a 6 episódios por dia e sempre querendo ver o próximo. Sem querer passei a dividir meu dia entre ver Lost e esperar para ver Lost. E também sem querer termino de escrever este post para voltar a ver Lost. Estou no meio da primeira temporada. Faltam apenas mais duas e meia. Nada o que umas 50 a 60 horas não resolvam.

por LRP.