Yankee?
Pedro De Luna
Me
lanço no blackjack depois de umas Cubas Libres, amigo.
Vou fundo e, fuck, meus dólares acabaram! Whatever, manda
mais um drink, bartender. Um whisky, tá? Preciso deletar
esse fracasso urgente. Now!
Como
diabos faço pra sair desse pub? Bom, deixa eu pensar...
Esse host tem cara de babaca. Manja, uns maluco meio dumb-ass,
meio redneck, desses que você não bota fé?
Bem loser mesmo. Mas tá conversando com um tira. E tem
ainda um fortão no staff. Aí fode.
Vou
ao W.C. espairecer, fumar um Marlboro. Saio com uns pingos no
jeans e uma stripper com lábios gordurosos de gloss me
pergunta se eu tenho algum motivo pra andar descalço
por aí. Oh, Jesus, esqueci meu tênis lá
dentro! Dou exatos doze passos, no tic-tac de meu Swatch, abro
a portinha estilo Saloon e avisto meu belo par de Nike. Querido
par de Nike! Lindo. Branco. Grande. Clean. Um design meio vintage,
fashion pra caralho hoje em dia. Lembra o do Air Jordan. Fresquinho,
direto do shopping. Não gosto de contar, mas tava 40%
off. Não tinha como não aproveitar.
Mas
goddammit, o que isso importa agora? Eu tenho que pensar em
como sair daqui. Volto lá e uma tal de Kelly me pergunta
se eu gosto de hip-hop. Minto e digo que curto os hits desses
caras mais popstars, tipo Eminem e 50 Cent. Ela parece gostar,
vai até o DJ e cochicha algo, parece que tava pedindo
uma música. Do nada, eles começam a discutir e
o clima na boate fica tenso. Ela chora. Eu vou consolá-la.
Que bad, eu digo. Com o rosto ainda molhado, ela olha pros meus
pés e diz algo que muito me anima. Uau, estaile esse
seu tênis, hein? Era justo o que eu queria ouvir. Gostei
da menina. Ela não parecia querer meu dinheiro. Além
disso, era a típica moreninha mignon. Feia - parecia
um jogador de rugby -, mas com pedigree, manja? Não curto
aquelas mina com bafo de Close-Up e cara de lady. Enfim, essa
Kelly tem sex-appeal. Então, embalado pelo rock'n roll
do jukebox - o DJ, de tão puto, já tinha ido embora
- como quem não quer nada, lanço: eu tenho uma
cama king-size, sabe? Parece que é o password pro sucesso.
Os olhos da mina brilham. E eu só pensando em como eu
ia fazer pra sair dali.

Vou
ao toalete de novo. Expulso o hot-dog que comi no almoço
com raiva. Com direito a ketchup. Malditas hemorróidas.
Ponho de novo a calça e, eureka!, penso num jeito de
sair dali. É arriscado. Meio James Bond. Talvez um pouco
mais covarde que isso. Enfim, o fato é que eu achei 5
pratas no bolso.
Volto,
olho bem praquela pituzinha marota, com um shortinho sexy me
esperando e me sinto em Hollywood. Só falta um smoking,
uma arma e licença pra matar. Não... pensando
bem, é meio Mc Gyver. Enfim, só sei que mal consigo
fechar meu ziper de tão feliz que eu tô. Tem que
dar certo.
Olho
pro gigante do lado do host dorminhoco. Meio cochichando, chamo:
Psiu... Ei, negão, vem cá. Eu sei que cê
tá sem comer há um tempão, né? Tó
- puxo o dinheiro amassado e rasgado como se fosse um cheque
de banco suíço -, aqui tem cinco conto, come alguma
coisa e fala que é por minha conta, beleza?
Essa
porra desse negão sussurra, não responde direito.
Definitivamente, um homem de poucas palavras. Mas acho que ele
disse sim. Ele vai no balcão e pede um americano. Aproveito
o deslize, pego a Kelly pela mão e me mando daquele lugar
quase às moscas.
Entramos
no meu Palio Weekend e ainda olho praquele neon vermelho e verde,
com poucos watts sobrando, dizendo: "Sereia's Bar - Com
Sauna", viro a esquina da Dr.Zuquim e vou-me embora.