Eu
sou gordo e isso é fato. Na verdade, pelo que eu notei,
isso vai ser um fato por muitos e muitos anos. Não que
eu seja muito gordo, não alcancei nem a obesidade mórbida
ainda, mas sei que estou acima do peso e isso é pelo
único e simples motivo de eu não fumar.
Quem
acha que sou um ex-fumante está errado. Sei que normalmente
as pessoas que param de fumar acabam ganhando uns quilinhos,
talvez por trocarem o cigarro de verdade pelos de chocolate.
Aliás, muito engraçado esse movimento de retorno
que a vida tem. Segundo estudos um tanto idiotas, algumas crianças
começaram a fumar devido àqueles cigarros de chocolate
da Pan. Primeiro com os de chocolate, depois com os verdadeiros
e depois voltamos aos docinhos com medo do pulmão pifar...
Eu não saberia escolher entre morrer de diabetes ou de
enfisema.
Deixando
bem claro: nunca fumei! O problema todo vem do fato de eu pensar
demais nas coisas. Penso na família, nos amigos, filosofia,
filmes, músicas e coisas que, além de não
estarem no meu âmbito de conhecimento, ainda estão
mais que distantes de meu interesse, mas confesso não
poder parar.
O
fato de eu comer em excesso também não é
porque todas essas coisas me causam ansiedade e eu fico inseguro
a respeito da situação política do país,
quando sairá o novo filme do homem-aranha, ou quando
o mundo acaba. Sei que penso em tudo isso, mas essas coisas
não me preocupam realmente, apesar de eu ter meus momentos
proféticos.

É
por isso que digo que sou gordo por não fumar. A equação
é simples: pegue qualquer pensador conhecido (dos desconhecidos
não temos notícias e, portanto, não teremos
base de comparação) e veja se ele fuma. Se fumar,
existe a chance de ser magro, senão será acima
do peso. Isso é devido ao fato de precisarmos de alguma
atividade física simples que acompanhe o raciocínio
e, ao mesmo tempo, não interfira.
O
cigarro é perfeito pra isso. Você acende, traga,
solta e ainda tenta caçar algumas idéias em meio
à fumaça. Mas, como quem não tem cigarro
caça com chocolate (não tinha um gato e um cachorro
nisso daí?), eu como. Não existem melhores epifanias
que aquelas descobertas em meio a um beirute cheio de maionese.
Já
ouvi dizer que se você se concentrar bastante é
possível pensar sem realizar nenhuma dessas atividades
simples descritas, isso é loucura! Se quanto menos atividade
mais pensamentos, os maiores gênios seriam pessoas que
acabaram de sair do coma. E, no entanto, bem sabemos que não
é assim.
A
coisa funciona sozinha. Você está parado, sem ter
o que fazer, vai fuçar na geladeira, começa a
comer e de repente pimba! Lá vem a chuva de idéias.
O passo seguinte é sentar e escrever as luzes que se
acenderam sobre você. E só não sou um obeso
mórbido devido ao computador. Eu sou destro e quando
escrevo minha mão esquerda nada mais faz que apoiar minha
cabeça ou coçar um queixo (o meu, de preferência),
mas ultimamente tenho apenas digitado e essa ação
ocupa minhas duas mãos, não deixando espaço
nem para um picolé de leite condensado!