Numéro 13 :: RENOVAÇÃO

      Se o número 13 é o número de azar de muitos e sorte de outros tantos, pouco importa. Para nós, o número 13 é o número da renovação. Sim, roupa nova, visual novo, mas o mesmo conteúdo de sempre: curto, porém honesto. Continuamos estendendo os prazos das edições (de mensal passou para bimestral, trimestral e agora está se firmando como semestral), mas pensando em textos e imagens que tenham algo a dizer.

      Algo a dizer não falta nesse emaranhado de palavras e ideias que vivenciamos na internet. Virou já clichê apontar o excesso como característica da web, e um excesso que acaba gerando o oposto do realmente buscado. Quem busca informação acaba se perdendo diante de tanta coisa para ler. Criam-se necessidades e nos chantageiam com a idéia de que se não ler tudo estaremos fadados a ficar para trás, seremos ultrapassados. Sabe aquela frase de porta de banheiro de cursinho que diz que “enquanto você está aí sentado cagando, tem um japonês estudando”? É mais ou menos essa a filosofia.

      Mas nada disso tem a ver com a edição que vos chega aos olhos. Enxergar parece ser a mote do indivíduo hoje. Afinal, abrir os olhos já virou expressão corriqueira. E ela traz consigo a noção de dar clareza, colocar luz em algo que você não presta atenção. E justamente a luz é o tema do imagemar de Alexandre Verciani, que casou Bethoven num claro/escuro que se assemelha a uma ópera de luz no palco da escuridão.

      Se dar luz significa também dar a vida a alguém que vem ao mundo através do ventre materno, é de se supor que o texto que nasce da mente humana faz paralelos com a prole de uma mãe. Para além do sofrimento do parto real e do parto criativo, o Mundar de Renan De Simone envolve um pouco de tudo isso – na criação literária o espocar da visão. “Óculos” parece endireitar a retina daquele que olha, mas não vê. Sente, mas não enxerga. Já em “Meu pequeno universo” (Aline Lamas e José Branco Neves) não se trata de dar luz, mas talvez iluminar. Sim, iluminar o particular desapercebido que é a ambigüidade entre a imensidão dado a nossa pequenez e a pequenez do mundo dado a nossa imensidão.

      Sentir sem enxergar, ou melhor, enxergar sem sentir é o pano de fundo que Martinho Junior deixa transparecer ao rabiscar as notas e pensatas de “O Amor é uma chatice ou amores sem nomes”. Pessoal, o autor desconstrói o discurso do amor – este sim chato, segundo ele – e retoma o amor que é amor e não é oração. Na verdade, uma falta de amor que, sem nomear, vira saudade ao fim, no vazio da noite, na ausência no sono solitário. Os desamores continuam, e em “Café Amargo” o mesmo autor insiste sobre esse ponto (já recorrente por aqui) e no fim, cansado de fazer sempre o que não gosta, nosso protagonista é, de alguma forma, recompensado. De desamor em desamor, só poderia chegar em um azar, ou, pensando como Diego Pontes, um azar incondicional, irremediável. Para tentar aliviar, talvez basta aceitar, talvez.

      “O Corpo”, longe de pretender dar conta do tema lamacento e ardiloso, indica duas vias que acompanham o desenvolvimento histórico do corpo, a matéria e o espírito, ou antes, uma parcela invisível e outra visível. Por falar em invisível, tal qual as mitologias de Roland Barthes, “Quando a Política e o Futebol se encontram” de Ana Carolina da Silva Santos demonstra algumas vias do esporte mais famoso do país que mesmo explícitas ainda causam algum desconforto.

Boa Uruca,
Os Editores

 
     
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