“No meu tempo, as coisas não eram assim!”. Quem nunca ouviu tal frase dita, seja por um vetusto senhor qualquer ou mesmo pelos seus próprios pais? O fato é: nos dias de hoje, com a distância entre os saltos de mudanças ditas revolucionárias (embora hoje essa noção tenha se tornado predominantemente tecnológica) se encurtando, tal frase tornar-se-á cada vez mais dita.
O motivo para a exaltação do passado é, pelo menos em sua explicação, simples. Os seres humanos têm, simultaneamente, necessidades e aversões incontroláveis às mudanças em geral. Se olharmos nossas raízes evolutivas, vemos que o instinto de sobrevivência que desenvolvemos ao longo dos milênios não é, essencialmente, tão diferente do que vemos nos dias de hoje.
Por exemplo, sem dúvida alguma, os personagens de maior destaque nos livros de história são pessoas que, de alguma forma, conquistaram ou rechaçaram mudanças em seu meio – isso despindo-se dos exagerados e, por vezes, falsos moralismos do pensamento maniqueísta. Quem nunca ouviu falar em nomes como Gengis Khan, Joseph Stalin, Adolf Hitler, Che Guevara, Jesus Cristo, Jimmy Hendrix, Siddhartha Gautama, Charles Darwin, Oskar Schindler, Mahatma Gandhi, Getúlio Vargas, Joana D’Arc, John Lennon, Da Vinci, Karl Marx, Cristóvão Colombo, Elvis Presley, Kim Jong II, Zumbi dos Palmares, Mozart, Nelson Mandela, Charles Chaplin, Orson Welles, Simon Bolívar, Bill Gates, Alexandre o Grande, George Orwell, Madre Teresa de Calcutá, Rinus Michels, entre inúmeros outros… Atualmente, por que não citar Lula e Barack Obama como exemplos?
Todos esses nomes citados acima ficaram conhecidos por, em algum momento, agirem ou falarem de uma forma diferenciada do nicho ecológico da sua existência. Por mais que muitos o tenham feito pelo bem e outros pelo mal, todos podem ser considerados, perdoem o neologismo, “mudadores”. Juntos, Hitler e Stalin superaram a casa dos 30 milhões de assassínios, mesmo assim, mobilizavam multidões e detinham uma suntuosa lista de seguidores. Entretanto, como diz o ditado, “nem Jesus agradou a todos”, os mesmos arrumaram uma série de inimigos em suas vidas. Longe de mim defender a dialética dos ditadores, mas a fria verdade é que, por muitos anos, eles foram quase endeusados.
Em suma, quando um Homo sapiens consegue obter uma vida razoavelmente segura, sem grandes “estouros” em seu caminho, dificilmente ele ouvirá ou levará em consideração um pensamento revolucionário que se confrontará com suas ideologias. Como um bem-sucedido, ou o chamado self-made man, teria a capacidade de aceitar ou até mesmo compreender o pensamento hyppie anti-guerra dos anos 70? Por mais que soe incoerente e retrógrado, isso é apenas uma reação psicológica e sociológica puramente condizente com a natureza dos seres humanos.

Ao mesmo tempo, porém, o ser humano, enquanto primata com polegares, possui uma natureza agonística bastante presente. Quando sua existência se vê ameaçada ou há a oportunidade de se adentrar em uma situação melhor para a mesma, não hesitará em entrar em conforto para tal. Logo, os revolucionários, mesmo os pacifistas do altruísmo, não estão buscando nada mais nada menos do que uma espécie de “extensão” das ideias e ações que julgam racionais.
Dessa forma, os adeptos dos “mudadores” adotam a cartilha de seus líderes, gerando, em um número muito grande de vezes, a famigerada frase – “No meu tempo as coisas não eram assim!” – quando a mudança seguinte ocorre. A questão cronológica, todavia, é apenas um disfarce de um processo meramente cíclico na história mundial. Quanto mais algo, um pensamento ou alguém vigora, maior será, gradativamente, o desejo de mudança e, claro, o agon aumentará à medida que o “vilão” não é derrotado. Obviamente, a retaliação dos “conservadores” será inversamente proporcional em tolerância e coação. Ou seja, quanto mais revolucionário e “mudador” é a pessoa ou pensamento, mais rápido e mais curto será o tempo em que ele sofrerá tentativas de extermínio. |